Aquele céu não sai da minha cabeça. As nuvens se esfarelando à medida que chegavam mais perto da terra em função do forte vento que soprava naquele fim de tarde. Olhei abaixo das nuvens, só via o imenso cerrado sem fim, alguns cavalos no pasto e mais perto de mim a grama verde escuro, como que feliz pela chuva do dia anterior. As nuvens, o vento, a grama e as flores aguardavam uma chuva nova naquele dia que terminava.
Ela não iria demorar. Mas enquanto não chegava, a paisagem me presenteava com uma beleza sem comparação. Sentei-me sobre o carro de boi que hoje faz parte da decoração da fazenda, pus uma flor amarela no cabelo, e olhei profundamente o infinito. Queria ver se meus olhos me levariam até lá.
Aquele lugar da fazenda se tornou pra mim um cantinho secreto. De lá consigo ver a bica, as flores, os animais, o canavial e as porteiras e dificilmente serei vista.
Enquanto escrevo consigo me lembrar do som daquele lugar. É som de vento, de água, de pássaro e de natureza. É como acordar dentro de um sonho, abrir os olhos e ver o telhado rústico de madeira, sentir o cheiro do café vindo da cozinha e do pão de queijo da vóvó.
O melhor, indiscutivelmente o melhor de tudo isso, é olhar pro lado e ver você abrindo os olhos aos poucos, reconhecendo o sonho, piscando com preguiça e carinho, dizendo bom dia e perguntando se faz tempo que está dormindo.
Meu amor, a paz que este lugar me traz se compara a paz do seu amor.
O beijo do vento em meu rosto me faz lembrar o seu beijo. Suave, leve, delicado.
Nanda.
